Mostrar mensagens com a etiqueta Lendas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lendas. Mostrar todas as mensagens

2011-01-13

Lenda do medronheiro



O Diabo julgava-se inteligente e andava sempre à espreita para ver se apanhava alguém distraído para pregar as suas partidas.
Um dia ele, pensando que Deus estivesse distraído, fez o seguinte pedido:
- Ó Senhor, vós que possuis tantas árvores oferecei-me duas, o medronheiro e a laranjeira.
O Senhor disse-lhe:
- Pede as árvores quando não tiver flor nem fruto.

Mas a laranjeira e o medronheiro têm sempre flor ou fruto, se calhar até as duas coisas ao mesmo tempo. Por causa disso, o Diabo nunca mais pode voltar a falar nessas duas árvores.

.

2008-11-06

9 ) Tesouros escondidos


Uma lenda, muito conhecida não só no Sobral, mas também noutras freguesias do Concelho de Moura, conta:

Um pastor da herdade do Touril, há muitos e muitos anos quando se deitava começava a ouvir uma voz que o irritava: "Vai a Santarém que lá encontrarás o teu bem. Vai a Santarém que lá está teu bem …".E assim foi vivendo, mas à medida que passava dias e meses cada vez andava mais desgostoso pois chegou a ocasião que até quando apascentava o gado ouvia:"Vai a Santarém que lá está teu bem", etc … O pobre homem nem por sonhos imaginava que bem lhe podia vir de Santarém, terra tão distante. Um dia muito aflito resolveu pôr termo àquele mau viver e ir à cidade ribatejana.Isto passou-se no tempo em que para ir de Moura a Lisboa era necessário fazer testamento e ser submetido antes de partir a confissão. Tais eram essas belas e áureas épocas nos quais a preocupação principal para os viajantes se resumia na manutenção da bolsa e da vida. Todas as preocupações eram poucas em face das proezas dos “bandoleiros” da Serra Morena que escondidos nas fragas do Guadiana esperavam os desprevenidos caminhantes.O nosso homem confessou-se e recebeu comunhão na Igreja de S. Pedro e não foi a Moura fazer testamento porque os seus haveres pouco mais excediam três cajados nodosos de marmeleiro.Para abreviar direi que em Santarém deixou de ouvir a voz, mas não encontrava o bem prometido.Passaram-se dias e quando já estava para regressar à sua terra ouvi uma velha estalagem das “Portas do Sol” a galhofeiros almocreves ribatejanos uma conversa sobre tesouros. Tratava-se de sonhos e minas escondidas. O homem manifestou a sua descrença em tais pontos e contou os factos que o levaram por cousa parecida a deixar a Serra de Moura e a fazer viagem a Santarém.- Serra de Moura! – Exclamou um dos camponeses suprendido – vocemecê é desses lados?- Sim porquê ?- Homem – tornou o ribatejano – vocemecê sabe lá que desde pequenino sonho com uma mina escondida na serra de Moura . . .- Que me diz vocemecê? Pois eu sou lá pastor e … - ficou estupefacto.- Eu lhe conto: “...sonho que no sitio da Adiça, quando ao meio dia bate a pino na moradia de uma moura, vai uma cabra muito branca deitar-se em terreno razo. Debaixo dessa terra, na profundidade de uma vara, está uma grande mina de ouro, prata e pedraria. São as riquezas de uma moura, cujo guarda é essa cabra ...”. Mas a terra é tão longe que não se aventurou a fazer caminho por esses matagais.Rapidamente o pastor do Touril teve conhecimento do bem que o esperava em Santarém, pois já várias vezes tinha visto essa cabra deitar-se ao meio dia no cimo da Adiça.Toca a caminho Moura e a astúcia, a sorte ou a providência livraram-no no regresso dos lobos e dos bandoleiros da Serra Morena.Uma vez no Sobral desenterrou o tesouro e ficou muito rico, mas com receio de ser roubado atravessou a fronteira e comprou herdades e courelas sem conto. E a lenda vê naquelas vastas propriedades que se estendem de Aroche a Sevilha, restos dos haveres do velho pastor do Touril que a Santarém foi buscar o seu bem.

(D. Josefa de Navarro)
Retirado da “Monografia arqueológica do concelho de Moura” de José Fragoso de Lima

2007-10-04

8 ) Tesouro do Barranco das Ferrarias

No Barranco das Ferrarias, perto do monte do Borrachão, debaixo de uma figueira-brava, encontra-se uma pedra grande. Diz-se que debaixo da pedra está um tesouro e que junto ao mesmo está um corvo encantado. O tesouro e o corvo só podem ser retirados à meia-noite.

(Popular)

2006-10-13

7 ) Mina del Niño

Há em toda a Serra da Adiça (designação pop.) muitas riquezas, especialmente na caverna. Já nos referimos a tesouros aqui escondidos nas lendas 1 e 2.
Também dizem que num barranco que desce da vertente dessa Serra se encontram amiudadamente barras de prata dos tesouros da moura. Isto tem fundamento, as placas de metal existentes (temos uma no Museu de Moura, oferecida pelo Sr. Manuel de Brito). Ignoro qual será o metal e a elas farei menção com mais desenvolvimento na parte referente à Idade dos Metais.
Há quem localize nas “Covas da Adiça” a célebre Mina del Niño.
Segundo as versões recolhidas, esta crença anda ligada á ideia de tesouros escondidos e também do filão de metal em bruto de localização muito incerto. O seu aparecimento constitui desde há séculos o sonho de quase todas as famílias do Sobral e por volta de 1914, informa a Snrª D. Josefa Navarro, acorreram à aldeia muitos engenheiros, tanto do lado de Espanha como de Portugal, na esperança de encontrarem a Mina del Niño.
O pai do snr. Manuel de Brito recebeu no século passado também instruções das empresas de que era accionista para indagar alguns vestígios de tão famigerada fonte de riqueza.
As lendas referentes a tal mina são muitas. Arquivo simplesmente duas, de acordo com as várias versões que ouvi aos Srs. Manuel de Brito, Francisco Ganso Correia Pinto e D. Josefa Navarro.
A primeira resume-se no seguinte:
“Uma espanhola tinha vários filhos, o mais novo dos quais orçava por 4 anos. Disfrutava essa espanhola um hortejozinho nas plainas de Palhais, em frente da Adiça e todos os sábados, à tarde, fazia da farinha que restava da amassadura uns bolos muito bons para dar aos filhos. O mais novo gostava tanto deles que até, apesar de crua, comia as raspas da massa pegada ao alguidar.
Aproximava-se a noite de S. João e a moura encantada das Covas da Adiça foi sempre muito amiga de roubar limpeira os Santos Óleos aos cristãos desprevenidos. Ora a mãe do rapazinho teve de ir certo dia a Fregenal de la Sierra e deixou a criança entregue aos irmãos mais velhos. Estes desorientaram-se com os ninhos de perdiz e de rola e cada qual abalou por seu outeiro à procura de folguedos.
Foi neste momento que a moura desceu sorrateira do seu esconderijo e roubou à criança os Santos Óleos. Mas é fado da princesa ter amores com todos os cristãos a quem tira os símbolos do batismo.
Como a vitima era de pouca idade e não podia correspnder ao facto da moura, esta para não fugir ao destino teve de canalizar a tendência numa espécie de amos maternal. Levou o rapaz para a caverna com o mesmo cuidado como se fosse seu filho.
Quando a mãe e os irmãos regressaram ao hortejo deram por falta del niño. Percorreram as redondezas em vão e o povo da aldeia julgou-o morto por alguns dos lobos ou javalis da Serra (abundantes nesse tempo como atestam as Memórias Paroquiais). A mãe, porém, teve sempre a esperança dele aparecer um dia, pois desconfiava tratar-se duma proeza da moura. Todos mofavam dela e a espanhola quando amassava nos sábados à tarde os tais bolos muito doces dizia entre choro que com a ajuda daqueles bolos de que tanto gostava o havia de encontra.
Assim passaram anos até dezassete. Nesta altura todos os filhos eram fortes rapagões, casados e casadoiros, e em vez dos ninhos preferiam amiudadas batidas aos lobos desde a Adiça às mais recondidas brelhas da Serra Morena. Foi numa destas caçadas, junto à caverna, que se esqueceram um dia do farnel. Em casa comunicaram à mãe a perca e logo a espanhola a interpretou como um roubo praticado pelo irmão mais novo, que percebeu o cheiro dos bolos na moradia da moura. De novo troçaram dela mas, pelo sim pelo não, fizeram à pressa mais bolos e dispuseram-se detrás das estevas e espreitaram: viram umas mãos emergir do antro e agarrar a um zambujeiro e rapidamente um homem novo cheio de cabelo como um bicho saltou para fora. Todos correram e agarraram-no. Não sabia falar, mas parecia olhar com um carinho para a mulher que debulhada em lágrimas lhe chamava filho.
Levaram-no para o hortejo onde houve festa de arromba. Toda a aldeia acorreu e até às povoações fronteiras espanholas chegou a noticia do aparecimento del Niño. Um dia o pai do rapaz, após feliz negócio na feira de Setembro de Moura, chegou à hortazinha de Palhais com a sacola cheia de dinheiro. Despejou as moedas sobre a mesa: El Niño assim que viu o ouro pôs-se rapidamente de pé e num gesticular desordenado dava a entender que havia muito daquele metal nas covas onde fizera forçada moradia.A nova correu, mas ninguém se atrevia a ir lá por causa da moura, que ficara enraivecida; além disto, a caverna tinha muitos compartimentos, galerias, buracos e só por acaso é que se podia dar com o tesouro. O sitio certo deste, só El Niño o sabia e também só ele poderia dominar a princesa mais triste e encantada do que nuncae agora até com desejos de se vingar. A espanhola para que o filho não servisse de isco em favor do ambicioso, retirou-se com a família para Aroche e o segredo da mina morreu para sempre. O povo não esqueceu o facto e gerações sobre gerações têm procurado insistentemente mas em vão, o sitio em que se guarda a sempre célebre Mina del Niño.

(D. Josefa de Navarro)

Retirado da “Monografia arqueológica do concelho de Moura” de José Fragoso de Lima

2006-10-11

6 ) Refúgio de criminosos e foragidos políticos

No tempo dos miguelistas muitos criminosos escaparam escondidos nas Covas da Adiça (D. Tomásia Campaniço).

General Prim
Quando Prim e o seu estado maior fugiram de Espanha, esconderam-se naquelas cavernas (F. d´assis Orta 1903:139-140)

Retirado da “Monografia arqueológica do concelho de Moura” de José Fragoso de Lima

2006-10-08

5 ) Moradia de Monges

“Há também quem diga e é esta a versão mais seguida, que ali existiram em tempos remotos, um pequeno número de anachoretas, os quais escolheram aquelle ermo, para se retirarem do mundo, e se entregarem à meditação ...” (F. d´Assis Orta 1903:139-140).
A ) Já em 1758, o P. António Machado Borges Limpo se referiu, como vimos na lenda 3, a um monge que habitava na caverna.
B ) O mesmo manuscrito anuncia ainda “... para a qual se entra por umas escadas, que ali fizeram os monges, que habitarão haverá quinze ou vinte anos ...”
C ) ainda está em voga no Sobral a crença de terem vivido monges na caverna e diz-se que o senhor Manuel de Brito, de facto possue uma porta, que lhe ofertaram levada da nascente das Covas da Adiça, para uma mangedoura, nos fins do século passado.
Chamam-lhe a Porta dos Monges.

Retirado da “Monografia arqueológica do concelho de Moura” de José Fragoso de Lima

2006-10-05

4 ) Refúgio de três mouros

Escreveu F. d´ Assis Orta (1903: 139-140) “... Houve três reis mouros que governaram em pequenos estados de Península. Depois vendo-se destronados por seus vassalos, fugiram para estas paragens e construiram um palácio subterrâneo para nelle se abrigarem.
Ainda hoje os cicerones indicam a divisão das salas e mostram as camas, que são longas pedras, por onde água parece não ter podido penetrar.

Retirado da “Monografia arqueológica do concelho de Moura” de José Fragoso de Lima

2006-09-28

3 ) Gigantes ou negros encantados

Informa a Memória paroquial: ”... dentro das cavidades há um rio guardado de huns negros; ou gigantes encantados, aonde os que quizerem lograr a preciosidade destes thesouros hande experimentar certas aventuras; confirmando isto com a tradição de seus antepassados, e das notticias que davam dum monge, que habitava nellas, fazendo vida solitária, de que todas as madrugadas ouvia vozes, que lhe mandava acender fogo, e cuidar da sua obrigação, de que cheio de hum terror . . . . . . . desamparou a cova, e veio fallecer dentro de pouco tempo ...”

Retirado da “Monografia arqueológica do concelho de Moura” de José Fragoso de Lima

2006-09-22

2 ) Cobras encantadas




a) “... havia pessoas, que tinham visto recolher para aquellas cavernas huma medonha cobra, e que todo o que a ofendia tinha exprimentado desastrosos sucessos...”(Memória Paroquial).
b) Informa a Sra. D. Tomásia Maria Campaniço de Almeida: toda agente nos seus tempos de mocidade, dizia no Sobral, que esta cobra era a moura encantada da Adiça. Um seu irmão, recentemente falecido em Ficalho, andando um dia à caça pela serra viu-a: era uma serpente muito grossa e comprida, coberta de cabelos e com feições de mulher. Fitara-o constantemente e tinha uns olhos tão lindos, que apesar do pavor jamais esqueceu o seu brilho e vivacidade.
c) Há quem diga ter esta cobra morrido vitima de um incêndio na Serra da Abelheira. Foi um espectáculo terrível: dava silvos tão fortes que se ouviam desde Moura a Aroche (Espanha). Impossibilitada de se salvar, enrolou-se em dois zambujeiros e o óleo do seu corpo correu copiosamente pela vertente da Serra, onde não mais nasceram ervas (D. Tomásia Campaniço e várias pessoas do Sobral).

Retirado da “Monografia arqueológica do concelho de Moura” de José Fragoso de Lima

2006-09-15

1 ) Mouras Encantadas



Os sobralenses e freguesias vizinhas dizem que, a Caverna é habitada por mouras encantadas com tesouros, primeira categoria de mouras encantadas, segundo a classificação do Dr. Leite de Vasconcelos (1882:280).
Sobre esta crença apurei duas variantes:

A) Informa a “Memória Paroquial” a respeito desta gruta “...presumo muita parte da vulgaridade serem os palácios de huma Moura encantada e chamada Adiça, e que, concerva nelles grandes riquezas para quem a desencantar ...”

B) A Sra. D. Tomásia Maria Campaniço de Almeida , natural do Sobral, contou-me que ouvia dizer ao avô, velho guerreiro de D. Miguel:”Na noite de S. João, às 11 horas, a moura encantada das covas da Adiça, leva para a porta da caverna uma mesa, sobre a qual põe um estojo de ouro para bordar”.

Retirado da “Monografia arqueológica do concelho de Moura" de José Fragoso de Lima

2006-08-31

As lendas das Serra da Adiça

Não está muito relacionado com o âmbito principal deste blog, mas penso que será igualmente interessante, irmos ao encontro das lendas sobre esta imponente Serra, de destacar que esta ideia me foi proposta pelo bloger “Osvaldo” numa postagem que fez no seu blog “ A Patada “.

Antes de começar com uma das 7 lendas, quero deixar aqui alguns extractos de descrições da Serra da Adiça e das Covas da Adiça, referidas na “Memória Paroquial” escrito em 1885.



Serra da Adiça:
“ …A famigerada serra tão célebre e digna de admiração pela intricada vastidão das suas árvores, pela horrorosa solidão das suas brenhas, pela sua demasiada grandesa, pelas vistosas eminências de que se coroa, pela dilatada cordilheira de montes de que se adorna, sendo em toda a sua extenção Serra Morena, ...”

“…A mayor parte das ágoas da serra se somem na mesma serra, porque segundo se entende, toda está minada e a boccas de covas por toda a serra , que são tão fundas que athe qui não há notticia que nimguém averiguasse a intimidade destas cavernas. “

“ … Tem em si veados, lobos, javalis, raposas gatos cravos, genetas, techugos, linhovardos, coelhos e perdizes. “




Covas da Adiça:
“… tão grande, que nella se pode alojar huma boa companhia de soldados de pé, tendo de altura mais de dous piques. Adornão-lhe as paredes várias pingas de ágoa, que suadas do rochedo e convertidas em branca pedra parecem viveiros de mármore…”


“… Tem no meio esta cova huma pedra muito levantada, ………. huns chamão estrado, outros palco a donde a gente da serra e ainda da povoação fazem as suas danças pastoriz e dizem que ……..podem baylar athe doze pessoas …”










Em 1942, houve uma visita a esta caverna, em que, o Sr Dr. José Fragoso de Lima, refere “…Hoje as estalactites estão na sua maior parte partidas; as pessoas, que anualmente visitam a gruta, costumam levar bocados como recordação.” e “… o Sr. Dr.António Barros Machado (professor da Universidade do Porto) encontra nas galerias exemplares raríssimos de aranhas e doutros animais característicos de uma outra fauna, vegetação e clima no concelho de Moura.”


Outras fotografias da caverna :